domingo, 3 de julho de 2011

Vera Cruz - Conhecendo nossa terra

Material produzido e adaptado por Professora e Historiadora Eremita Tânia Paixão

Histórico:

Pertenceu ao comandante Castanheiras por ato do governador geral do Brasil Tomé de Souza, fidalgo[1] ministro de D. João III, ato que sofreu divergências nos anos 1575 a 1583. Logo depois a sesmaria passaria a pertencer a José de Ataíde, o quarto donatário, terras que após sua morte foram doadas Luís Álvares, Marquês de Cascais. Mais tarde seus bens foram incorporados à coroa e as suas terras seriam entregue a marquesa de Niza.

Com a proclamação da independência do Brasil, essas terras foram seqüestradas e depois por sentença com base no tratado de 29 de agosto de 1826, voltaria a pertencer à marquesa. Depois seus descendentes a venderão para o capitão Tomás de Souza Paranhos e após sua morte foi para as mãos dos Barões da Várzea.

Como se deu o processo de ocupação da ilha?

Em 1º de novembro de 1501 Américo Vespúcio encontrou a BTS – Baía de Todos os Santos com extensão territorial 1052km2 a maior baía do Brasil, neste loca foi fundado em 1560 pelos padres jesuítas Luis da Gran, Antônio Pires e Luís Rodrigues o povoado do Baiacu, local onde viviam os índios abaporus, (dos quais estamos em busca de registro histórico). Foi no povoado de Baiacu nome de origem Tupy, May-acu, peixe tetraodontiforme (venenoso), que existe em abundância na contra costa da ilha, que foi erguida a Igreja do Nosso Senhor de Vera Cruz, terceira Igreja erguida no Brasil. No povoado foi construída pelos jesuítas a primeira obra de engenharia hidráulica da colônia – fornecia água potável para o povoado e serviços agrícolas da fundação jesuítica. Sabemos que neste período viviam no povoado negros escravos, jesuítas e indígenas. Em 1563 a povoação foi elevada à freguesia por D. Tero Leitão, segundo bispo da Bahia.

Em 1566, às margens do rio Tiquaracú, o português Francisco Nunes sendo o segundo colonizador a instalar-se na ilha, um dos primeiros colonizadores a fazer plantações nas terras da Igreja de Vera Cruz, fundou uma casa de farinha e um engenho de açúcar. Nesse período também se desenvolveu a cultura do trigo, tendo recebido os primeiros exemplares de gado bovino. A freguesia cresceu em tamanha em importância para o bispado da Bahia. Em 1587, a ilha foi ocupada por corsários ingleses sob o comando de Carlos Tourlon, o que levou ao incêndio do engenho de boa vista.

Mais tarde, o padre José de Andrade iniciou a cultura do trigo e o engenho de Ingá - Açu viria a fazer uso da primeira máquina a vapor do Brasil para moagem de cana-de-açúcar. Em 1754, Antônio Rodrigues percussor do cooperativismo entre os pescadores instalou uma feitoria de pesca, sendo principal atividade deste povo durante os próximos anos. Essa ação foi seguida pelo franciscano Antônio Espírito Santo, Frei Coqueiro que possuíam armação no porto do Capelão. Neste período de prosperidade foi construída na freguesia uma represa para captação de água para seu abastecimento.

Corre a lenda que quando do enfraquecimento do seu poder sobre a freguesia os jesuítas depositaram no fundo da água do rio do Baiacu seus imensos tesouros para não ser revestido à coroa portuguesa. Atualmente a Igreja se mantém sustentada nos ramos da Gameleira, árvore de sagrada para os africanos que veio para o Brasil com os escravos, arvore originalmente consagrada aos orixá do Iroko ou tempo na África e no Baiacu tornou-se espaço sagrado das oferendas para as religiões de matriz africana da ilha. Em virtude da importância do padroeiro da ilha em 14 de setembro acontece todo o ano a festa do Nosso Senhor de Vera Cruz na localidade de Baiacu que inclui uma parte religiosa católica, do candomblé com a lavagem da Igreja feita pelas Yaôs dos terreiros e popular com shows e farta comida dos frutos do mar. A atual luta que cabe a sociedade de Vera Cruz é mobilizar-se pela criação do Parque Ecológico do Baiacu, por ser a Baía de Todos os Santos uma área de proteção ambiental, para manter a beleza da mata atlântica, dos manguezais, na sua formação de ecossistemas e biodiversidade, uma beleza natural que contém as marcas da história da Bahia e do Brasil.

Na ilha de Itaparica , cujo nome em tupi significa “cerca feita de pedras”, devido aos arrecifes que contornam toda a costa da ilha, viviam os índios Tupinambás que a custa de muitas batalhas expulsaram os outros povos indígenas da ilha e para sobreviverem desenvolveram os mais variados artefatos da pesca e até hoje Vera Cruz é um dos principais produtores de pescado da Baía de Todos os Santos ocupando o 10º lugar na produção do Estado. Há registros históricos que em 1510, o navegador português Diogo Álvaro Correia, o “Caramuru” esteve na ilha e se enamorou da princesa tupinambá “Paraguaçu”, filha do cacique Taparica, a união entre ambos deu origem a família inter-racial brasileira o que não impediu no entanto, que houvesse o genocídio dos índios tupinanbás.

No século XVI a coroa implantou cultivo da cana de açúcar, trigo e criação de gado na freguesia. Em 1763, Itaparica, maior ilha da colônia, possuía vegetação exuberante, manguezais e restingas belíssimas. Entretanto com a ocupação colonial, com o sistema de capitanias hereditárias a ilha foi ocupada, “doada em sesmaria pelo Governador-geral Tomé de Sousa a D. Violante da Câmara, foi transformada em capitania e doada, em 1558, a seu filho, D. Antônio de Ataíde, primeiro conde da Castanheira, que a legou para seu filho homônimo, o segundo conde da Castanheira.” Trecho extraído de http://pt.wikipedia.org Com a ocupação a ilha tornou-se palco de conflito entre os antigos habitantes e os exploradores portugueses e desta forma os antigos povos indígenas foram aniquilados. Já no século XVII e XVIII, a maior atividade em larga escala foi a pesca da baleia. Para iluminação da colônia foi feito o refino de óleo de Baleia ampliado com a chegada do marinheiro basco, Pedro de Urecha. Com o passar dos anos Itaparica tornou-se importante para a história da Bahia, seja pela presença colonial dos sobrados importantes obras arquitetônicas e passagem de ilustres da história como D. Pedro I e D. Pedro II, ou ainda pela presença de Maria Felipa de Oliveira, mulher que bravamente organizou a resistência contra as tropas portuguesas de Madeira de Melo na luta pela independência entre 1822 e 1824, nesta época, a fim de consolidar a Independência do Brasil proclamada em 1822, houve muita luta na Bahia, com a presença marcante do povo do Recôncavo Baiano. Juntamente a outras mulheres que vigiavam a praia Maria Felipa atacou as tropas portuguesas com galhos de cansanção, pondo fogo em 42 embarcações livrando-se dos soldados portugueses. A presença dos negros na ilha de Itaparica, que chegaram como escravo e após a liberdade transformou-se em pescadores, tendo habitado a costa da ilha, sendo responsáveis atualmente pela maioria da população e grande diversidade cultural do município e do recôncavo baiano.

Com o desenvolvimento da ilha, está foi invadida entre 1600 e 1647 pelos corsários holandeses. E, foi os holandeses nesta época, em uma das suas últimas invasões, que construíram o Forte de São Lourenço localizado na cidade de Itaparica e atualmente importante espaço de resgate da história.

Somente em 8 de Agosto de 1833 a ilha desmembrou-se de Salvador e foi emancipada, sendo elevada à cidade em 30 de julho de 1962. Posteriormente o município foi desmembrado em dois: o de Itaparica e o de Vera Cruz, emancipada sob decreto lei 1773, em 31/07/1962.

O sonho de Catarina Paraguaçu(1871). Obra de Manuel Lopes Rodrigues. Igreja da Graça, Salvador.

Observe o detalhe da imagem e a sujeição da índia a imagem católica. Aculturação e valores do cristianismo imperam no imaginário etnocêntrico do século 19.

Vera Cruz desenvolveu-se e atualmente tem sua população está dividida em 36% ocupando áreas rurais e enquanto mais de 70% ocupa áreas urbanas. Esse município ainda que com a proximidade da metrópole ainda possui uma população que sobrevivem de práticas tradicionais de organização da natureza, sendo que historicamente as áreas rurais são as que mais sofrem com moradias sem rede de esgoto, condições de saneamento básico. Na contra costa com áreas de difícil acesso, as difíceis condições enfrentadas pela população incidem no resultado da educação básica tendo em vista que a distancia entre a escola e as localidades acabam por ser um dos fatores a interferir no acesso e permanência dos estudantes, principalmente nos períodos de chuva, o que leva a evasão escolar e interferem no rendimento dos alunos, vindo a se refletir no IDEB – índice de desenvolvimento da educação básica do município. Na área da costa a maioria da população sobrevivem do mercado de bens e serviços, onde prevalece o comércio informal de bens e serviços. Neste panorama há uma divisão do trabalho onde os habitantes da costa atuam na oferta de serviços aos veranistas enquanto que os trabalhadores da contra costa sobrevivem do pescado e da agricultura de subsistência. Outro espaço de empregabilidade é a Prefeitura, hotéis, bares, empresa de transporte de navegação, supermercados contudo não são significativos para a demanda do local. Neste caso, para uma mudança de perspectiva e desenvolvimento da população a educação se apresenta importantíssima para promover o acesso dos alunos do município ao ensino médio, concluindo e fomentando o acesso dos alunos a cursos técnicos e universidade, preparando os munícipes para assumirem as oportunidades de trabalho dentro de seu município.

Participação histórica dos povoados:

Barra grande e Aratuba serviram na campanha em favor da independência da Bahia.

Mercês e Santo Amaro do Catu foram onde se estabeleceram as trincheiras na luta em favor da independência da Bahia.

Perapitangas (atual Parapatingas) foi o maior centro de escravatura da ilha.

Passagem do funil é um marco inevitável na derrota das tropas portuguesas. No local, conhecido por Larço das Saraíbas há uma lápide em mármore colocada em 10/03/1929 pelo museu da Bahia, com a seguinte inscrição: “Ali, no Larço dos Saraíbas, onze guerrilheiros de José Lourenço impediram há 107 anos a passagem das barcas luzitanas de Taborda”, feito glorioso de 29/07/1822, na luta de independência da Bahia.

Curiosidade histórica:

Foi de Vera Cruz (ilha de Itparica) que saiu o cal para erguer as primeiras povoações, segundo ordem de Tomé de Souza em 1549.

Por que o nome da Cidade é Vera Cruz?

Os portugueses ao sair de Portugal no ano de 1500 desejavam encontrar novas rotas comerciais. Ao “acharem” as terras brasileiras primeiramente pensaram ser uma ilha e deram-lhe o nome de ilha de Santa Cruz, compreendendo se tratar de um erro, dada a extensão do continente chamaram-lhe Terra de Vera Cruz que mais tarde seria chamado de Brasil devido a riqueza de pau brasil nesta terra encontrado. Os portugueses deram ao Brasil estes nomes, pois carregavam consigo o espírito das cruzadas – a expedição cabralina trazia a cruz da Ordem de Cristo estampado em suas velas. D. Manuel, rei de Portugal, era também grão mestre da Ordem de Cristo. Por causa disto, ao chegar ao Brasil fixaram aqui a primeira Cruz em Santa Cruz de Cabrália – Porto Seguro, e aqui frei Henrique Soares de Coimbra rezou a primeira missa.

Para saber mais, Pesquisar!

De onde vem o nome dos povoados de Vera Cruz?

Cacha-pregos, Berlink, Aratuba, Barra Grande, Barra do Gil, Coroa, Barra do Pote, Conceição, Penha, Tairú, Baiacu, Jiribatuba, Catú, Taipoca, Mar Grande, Gameleira, Matarandiba.

Quando começou o sistema de travessia de barcas?

Qual o papel histórico dos saveiros na história de Vera Cruz?

Aspectos geográficos a conhecer do litoral:

Manguezais

Rios ( rio das pedras, aratuba, berlink, penha)

Riachos

Ilhas

Cachoeira (Matarandiba)

Terra arenosa e humifera (produz coco, dendê, pindoba...)

Costa piscosa e musgos (variedade de mariscos)

Reino mineral: arenitos betuminosos (Matarandiba, baixa da fatura), petróleo, sal-gema.

Trilhas

Orla de arrecifes: coralinos, tinaunas...

Outeiro do Gil (outeiro de Maria)

Mata pequena, madeira de lei e lenha.

OBS: o município possui pesca e agricultura pouco desenvolvida. Baixo plantio de mandioca, aipim, cana e banana. Baixa industrialização, tendo como principal indústria econômica extrativas: o coco, dendê, piaçava, mandioca e pesca. A cultura agrícola principal é a plantação de coco da baia, mandioca, manga, banana e cajus. Baixa pecuária de gado bovino, suínos e muares. A exploração de minérios de sal-gema iniciado exploração em 1977 em Matarandiba, enxofre, berita, malacacheta, xisto, betume, petróleo e água mineral.

A pesca é a principal atividade econômica da ilha ocorrendo principalmente em Baiacu, Aratuba (lagosta), Jiribatuba. Destaca-se a pesca de ostras, siris, aratus, caranguejos, camarões, polvo e sururu.

Aspectos culturais físicos, artísticos e históricos:

Igreja do Senhor de Vera Cruz, povoado Baiacu, 1560.

Igreja Santo Amaro de Catu, povoado de Catu, 1595.

Igreja Santo Antônio de Velásquez, povoado de Jiribatuba, 1612.

Capela de Nossa Senhora da Conceição, povoado de Conceição, 1757.

Moinho dos ventos (moinho de trigo), na Praça das Mercês, 1606.

Caeira da Penha – localizada na Penha, datada do século XVII.

Hotel Casarão da Ilha

Samba de roda de barra do Gil

(dados incompletos...)

Do passado as reflexões do presente...

1) A ilha de Vera Cruz, com seu povo hospitaleiro, possui por tradição cenas “pitorescas” do seu cotidiano e que traz marcas profundas da história de seu povo. Dentro deste requinte de personagens ilustres que diariamente escrevem a história local, descreva como vocês vêm uma cena pitoresca da ilha, focando os nativos, suas superstições, seus causos, seus dilemas, o trabalho do dia a dia envolvendo-os com o seu passado.

Faça um trabalho, que como disse Paulo Freire em 1997, um trabalho voltado para uma reflexão sobre as condições de vida da comunidade que você faz parte, analisando-a em relação a um contexto sócio-político maior e elaborando propostas de intervenção que visem transformação social.

2) Entreviste os mais velhos da sua comunidade e busque descobrir histórias sobre Gameleira e/ou Vera Cruz. De fatos históricos reais desde a sua fundação até lendas contadas pelos mais antigos, ou ainda acontecimentos corriqueiros do seu cotidiano. Esta pesquisa deverá conter seus questionamentos, suas idéias, sugestões, e contribuições, bem como, dúvidas e dificuldades encontradas na coleta de dados.

3) Esta pesquisa ainda é inacabada e através de coleta de Dados na nossa visita a Biblioteca Juracy Magalhães buscaremos completar dados referentes a história de Itaparica/Vera Cruz como um todo. Para isso elabore um roteiro, ou seja, estabeleça passos a seguir para levantar as dúvidas que não foram respondidas através desse material, escreva suas inquietações.

Sugestão:

a) A ilha por sua importância e localização estratégica foi visitada por D. Pedro I e D. Pedro II, porquê?

b) Se Itaparica, em 1763 era a maior ilha da colônia, então o que freou seu desenvolvimento nos séculos seguintes?

c) Qual o papel dos jesuítas, da ordem de Cristo, e sua missão missionária civiliza tória na construção da cidade de Itaparica/Vera Cruz e destruição da cultura indígena do local?

4) Durante a visita ao povoado de Baiacu, anote as suas impressões sobre o local e dê sua opinião, sugerindo, ações que promova o resgate do povoado de Baiacu bem como, da Igreja do Senhor de Vera Cruz, chamando atençães que promova o resgate do povoado de Baiacu bem como, da Igreja do Senhor de Vera Cruz, chamando atençde pau brasil nesta tero para sua importância histórica.

5) A diversidade cultural é marcante no município de Vera Cruz, há um rico patrimônio imaterial a ser catalogado, pesquisado. Participe da sua história levantando sobre as principais manifestações culturais da Ilha de Itaparica e em particular Vera Cruz, tais como: Caboclos de Itaparica, Boi Janeiro, terno de Reis, Sambas de Roda.

6) Temos muitos mestres, muitos saberes que podemos conhecer através dos artesãos, pescadores, anciões... está na hora de se tornar Pesquisador e construir sua própria história. Vamos formar grupos e documentarmos a história oral da cidade.

Mãos a obra!



[1] Fidalgo: classe mais rica de Portugal. Possuía bens, mas não era nobre. O fidalgo era título dividido em categorias, de grau a grau. . Todos nobres que serviam ao soberano (rei). Etimologicamente significa filho de algo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Africanos! Da escravidão mercantil a resistência

Ao iniciarem o processo de dominação sobre o continente africano os europeus não só colocou em punho suas armas, atacando populações indefesas com “pólvora, chumbo e bala”, assim como criaram teorias que justificavam sua presença na África e o dever do povo europeu em colonizar esses povos.
Tratando os africanos como “inferiores” segundo a lógica de dominação e exclusão por eles imposta, criaram uma teoria com base na ciência, haja vista, positivista, para justificar sua presença na África. Tanto o evolucionismo como o racismo servem para justificar a partir da lógica de exploração européia a dominação imposta no continente africano.
Para os evolucionistas os europeus possuíam a forma mais avançada de civilização. Estavam à frente dos outros povos e deveriam levar esse ideal de civilização a outras sociedades classificadas por eles como “primitivas”. Esses povos primitivos, não desenvolvidos, seriam “subjugados” aos valores e crenças européias.
Outra forma de justificativa se deu através da teoria racialista, que considerava uma divisão hierárquica da humanidade em raças, as quais são muito diferentes umas das outras e apresentam características adversas entre si tanto físicas como psicológicas. Essa visão de divisão das raças acabou por sustentar o pensamento da racista que divide as raças entre inferiores e superiores. “O racismo leva mais longe esse raciocínio, ao afirmar que essas supostas raças não apenas são diferentes, como estão posicionadas em uma hierarquia de capacidades e potencialidades”. (pg.2)[1]
Esse tipo de lógica de pensamento gerou uma ação de exploração. Através dessa justificativa racial, podia-se explorar o outro, tendo em vista a superioridade de uma raça sobre outra. O filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Em 1831, em suas “Lições de Filosofia da História Universal”, um clássico do evolucionismo, ele escreveu:

“O negro, como já observamos, exibe o homem natural em seu estado mais completamente selvagem e desregrado. Devemos deixar de lado qualquer pensamento de reverência e moralidade – tudo o que podemos chamar de sentimento – se quisermos compreendê-lo corretamente; não há nada em consonância com a humanidade que possa ser encontrado neste tipo de caráter.” (pg.7)[2]
Os europeus se estabeleceram na África, implantaram um sistema comercial que apenas favorecia aos seus interesses. E, para atender a esses interesses, desagregaram governos, desestruturaram sociedades e delas arrancaram riquezas. Não podemos negar que a presença dos portugueses, ingleses, bélgicos, franceses, alemães, na África contribuíram para a desagregar a organização político-social dos reinos africanos e contribuiu para o acirramento das disputas entre grupos étnicos.
O comércio gerado pela presença dos estrangeiros no continente africano contribuiu para o intercâmbio cultural e político, mudanças administrativas no governo, apropriação de cultura entre povos tribais e urbanos. Por outro lado, essa intensificação comercial gerou um dos mais vil comércio do que podemos conhecer, a implantação da escravidão mercantil.
A escravidão que vigorou nas Américas entre os séculos XVI e XVIII é, ao contrário, caracterizada pelos estudiosos como escravidão mercantil, pelo fato de que, nesse contexto, o escravo tornava-se uma mercadoria destinada a produzir outras mercadorias, no contexto da unificação global das redes comerciais regionais operada a partir do século XV pela expansão européia. (p.24)[3]
Homens africanos foram levados a outras terras e escravizados. Não se trata aqui dos mesmos métodos de escravidão praticados na África entre tribos, cujo vencedor tinha direito sobre o vencido, e este, sistematicamente se incorporava a tribo que o conquistara. A escravidão do comércio transatlântico favoreceu aos europeus, motivou a circulação de riquezas para os navegadores, comerciantes de seres humanos, contudo, aniquilou a liberdade de homens, mulheres e crianças. Pessoas eram vendidas nos portos atlântico africano, enviados ao “novo mundo”, América, em péssimas condições de sobrevivência. Navios negreiros ou tumbeiros transportavam aqueles que iriam trabalhar na América, nas lavouras de sol a sol em péssimas condições de sobrevivência.
Para o Brasil vieram centenas de milhares de pessoas, as quais, foram obrigadas a trabalho forçado, tratadas derespeitosamente como mercadoria. Desde que chegaram as Américas, especificamente ao Brasil, as formas de resistência passaram a se intensificar. A formação de quilombos nas regiões onde o trabalho escravo era intenso motivou a fuga de vários homens em busca da liberdade. Não somente no Brasil houve à insurreição dos africanos escravizados, também na África, vários grupos escravizados se rebelaram e realizaram fugas colocando-se contra ao processo de escravidão colonial.
Enquanto entre o século XVI e XIX vigorava a escravidão já no século XIX em seus finais dada a resposta do negros escravizados que organizados resistiram a opressão, quando da assinatura do documento oficial contra escravidão no Brasil só havia 5% de escravos. Na África neste período o sistema de lutas intensificou-se, ainda que com a não unaminidade dos diferentes atores sociais africanos envolvidos. Neste período havia divergência de grupos, cuja algumas elites africanas estavam adaptados ao sistema colonial, entretanto, nem todos concordavam com essa situação e na África encontramos casos de resistência, ainda que com menor número de armas e defasadas em relação a dos europeus, usavam espingardas e mosquetes, resistiram como podemos citar o caso da Etiópia que resistiu a invasão italiana.
Por outro lado, a divergência interna nos diversos reinos africanos contribui para que as potências européias se instalassem administrativamente. Contudo essa apropriação colonial não impediu as revoltas que ocorriam contra a opressão do Estado.
A imposição da ocupação e da administração propriamente ditas enfrentou uma resistência contínua, difusa e onipresente, estalando, vez por outra, em grandes revoltas. Os protagonistas dessa resistência não foram, em geral, as antigas aristocracias, mas a grande maioria camponesa, lideranças religiosas e militares emergentes e, em especial, os povos que nunca haviam optado por se organizar em grandes Estados.(p.6)[4]
Nas Américas casos como a independência do Haiti mostrou a outros africanos o caminho para a liberdade no século XIX. No Brasil, movimentos se intensificaram com a presença de africanos e seus descendentes, como ocorreu a cabanagem no Pará exemplo de luta contra as desigualdades sociais e a balaiada no sertão do Maranhão que lutou contra a opressão dos fazendeiros e autoridade local. Na Bahia destacou-se a revolta dos búzios e a revolta dos malês. Além dessas revoltas podemos destacar como símbolo de resistência as comunidades quilombolas.
Resistência que também se faz presente no Brasil na atuação individual de grandes líderes, intelectuais negros e abolicionistas como Joaquim Nabuco, Luís Gama, André Rebouças, Luíza Mahin dentre outros ícones da nossa história. Na África e nas diásporas a luta contra o colonialismo se ampliou pelos movimentos panafricanismo.

O panafricanismo nasceu desse encontro entre as experiências dos retornados, dos negros dos Estados Unidos que haviam optado por lutar por seus direitos civis no “novo mundo” e dos estudantes africanos na Europa confrontados com as contradições do pensamento ocidental, em teoria um pensamento universal, mas, na prática, extremamente excludente e particularista. Os pan-africanistas organizaram diversos encontros e congressos internacionais para combater, de forma pública, o racismo e a dominação européia na África.(p.9)[5]

[1] Texto módulo I – África que lugar é esse?
[2] idem
[3] Texto módulo 2 – Tráfico e escravidão
[4] Texto módulo – Colonialismo e Racismo
[5] idem

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vera Cruz, Reflexão.

Para Refletir: As nossas escolas possuem uma gestão democrática? Nossos Professores estão preparados para trabalhar com projetos? Nossas escolas possuem um Grêmio Estudantil Forte?
Precisamos Parar, pensar e Agir. Refletir sobre o cotidiano da Escola. Sua função como espaço onde há a construção e reconstrução da Democracia. Onde deve habitar o saber, mas também, a Tolerância, o Respeito, a Paz. Vamos trabalahr projetos, expandir idéias a partir de um conteúdo, transformando esses conteúdos em algo significativo. Transformando a escola em um espaço de diversidade que que prepara cidadãos para o mundo.

sábado, 13 de setembro de 2008

Seja bem vindos!

Esse é o nosso mundo.
Espaço de troca e convivência sobre interesses comuns.
Faço parte do instituto Sou da Paz, Trabalho com crianças e adolescentes e familias pela prevenção. Pela educação dou o meu melhor:
aulas de teatro, ensino, compartilho e me emociono comumente.

Participem comigo.

Na escola desenvolvemos o simpósio da consciencia negra que fortalece nossos vínculos e nos faz sentir um todo em um mundo cada vez mais global e que prima pela individualidade.

Seja bem Vindo!

Saudações Históricas!

Este Blog nasceu do desejo de compartilhar experiências. Seu intuito é despertar em outras pessoas comprometidas como eu, o desejo de Realizar algo, que não seja novo, mas que seja um diferencia e um referencial para aqueles que também desejam Despertar e fazer acontecer!
Dê o Primeiro Passo.

Meu Projeto: Primeiros Passos, agradece a sua visita.


Visite meu orkut : Tânia Paixão

Oficina Lei 10639/03 aditivo Lei 11645/08

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Promovida SEMED - Prefeitura Vera Cruz -Ba

Professores da rede ensino Vera Cruz - Ba

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Professores durante as oficinas - Parceria e Motivação.

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Acreditando na construção da Igualdade!

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Palestra para Mães da Instituição Ir. Franciscanas - Águas Claras

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Oficina com crianças da Instituição Ir. Franciscanas

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